Fórum Nacional do Milho trata de entraves ligados ao cultivo e exportação

Ao completar 10 anos de evento, o Fórum Nacional do Milho, ocorrido no auditório central da Expodireto Cotrijal, na segunda-feira (5), abordou as questões centrais que envolvem a cadeia produtiva do milho, focada em análise de dados de quem vive a verdade do setor no dia a dia.

O presidente da Cotrijal e da Expodireto, Nei César Mânica, ressaltou a importância de incentivar o setor. “É uma alegria muito grande sediar o debate de uma cadeia importante, diante do tamanho do desestímulo do produtor, mas acredito que esta reversão vai acontecer automaticamente devido a lei da oferta e procura. O ideal é o produtor destinar de 25% a 30% de sua produção anual para o milho, o que não acontece em função da queda de preço e risco climático. Temos um trabalho intenso para que haja um aumento na produção do milho”, aponta Mânica.

O coordenador executivo do Fórum Nacional do Milho, Fabrício Klein, enfatizou o crescimento do evento em 10 anos. “O propósito deste ano foi focado no abastecimento. Ao longo dos 10 anos acompanhamos um crescimento muito expressivo da produção, das exportações, dos estoques e este crescimento não contempla algumas regiões com problemas de abastecimento. Também abordamos o futuro do milho como custos de produção, políticas públicas e algumas ideias para um futuro melhor nesta cadeia. E no encerramento, tivemos uma análise dos entraves do abastecimento e também das oportunidades de nível global e nacional”, afirma Klein.

Desafios do abastecimento

De acordo com o presidente do Fundesa RS, Rogério Kerber, os desafios do abastecimento passam por três pontos específicos. “Precisamos ter liquidez, temos de fazer investimentos em armazenagem e reconhecemos que não estamos preparados. E temos de ter contratualização, formar parcerias. É extremamente importante a produção do cereal para compor a matriz de produção de ração”, descreve Kerber. “O setor de proteína animal é dinâmico e o milho é um insumo básico e importante para a continuidade e manutenção das cadeias”. 

O presidente relata que a projeção de safra para 2018 é de que o Brasil vai produzir 4600 toneladas do grão e irá consumir 6850 toneladas, portanto vai adquirir 2250 toneladas.

Custo operacional é o gargalo

Segundo o economista-chefe do sistema Farsul, Antonio da Luz, o Estado está na contramão do mundo, aumentando o consumo e diminuindo a área plantada. “Quando olhamos a expectativa de crescimento do consumo do milho até 2026, há um acréscimo de mais 239 milhões de toneladas, portanto produzir milho é um bom negócio. A produtividade brasileira está 1% acima da média mundial. Na receita, a média que o produtor está recebendo está 8% acima da mundial. Nosso gargalo está no custo operacional. A produtividade não está se pagando. Produtos fabricados no Brasil têm um custo menor em países do Mercosul, então temos um bloco econômico que deveria facilitar as negociações e está dificultando. Precisamos de políticas de governo”, destaca Luz.

Conforme o consultor de agronegócios, Carlos Cogo, sem o agronegócio o saldo da balança comercial brasileira seria negativo. “O consumo de carne cresceu, portanto cresce a demanda por ração. No Sul do país temos um oferta de 25% e uma demanda de 68% na produção de ração. Já no Centro-Oeste a oferta é de 52% e a demanda 14%. O milho é o grão mais produzido no mundo e o Brasil é um dos países com maior potencial de expansão da área de produção. Não temos problemas de abastecimento no país, e sim problemas regionais”, finaliza Cogo.

Agrolink com inf. de assessoria