Entenda porque o milho cai na Bolsa e sobe no mercado físico

Embora as cotações de milho estejam caindo na B3 (antiga Bovespa), no mercado físico os preços seguem subindo. Ocorreram negócios a R$ 39,00/saca no RS, a R$ 40,00 FOB e R$ 42,50 CIF em Ponta Grossa. No MS houve negócios entre R$ 34-36,00 FOB. Mas, no Oeste do PR, saíram negócios entre R$ 40-41/as na sexta-feira e hoje já tem ofertas a R$ 39,00/saca. 

“Os preços estão altos, muito altos para a realidade dos produtores de carne (frango, suíno e boi) neste momento. Milho acima de R$ 40,00/saca e farelo de soja acima de 1.200,00 CIF significam uma sangria para o setor de carnes. Alguns analistas acreditam que poderá haver uma nova rodada de empresas do setor que entrarão em Recuperação Judicial, como aconteceu em 2016. Mas, desta vez o Ministro teria dito que não vai esperar as indústrias quebrarem para fazer o leilão de milho”, aponta o analista da T&F Consultoria Agroeconômica Luiz Fernando Pacheco. 

A tendência, de acordo com o especialista, é que a situação atual continue durante a segunda quinzena de março, entrando em abril também na primeira quinzena, até que as primeiras colheitas da safra de verão ingressem no mercado de maneira mais acentuada na segunda quinzena (mas encontrarão dificuldades de logística com a colheita da soja em alguns estados). As chuvas complicaram o ciclo e a indústria precisa se virar até julho. E ainda precisa que o clima vá bem na 2ª safra (safrinha).
 
Segundo ele, o que mantém os preços altos são dois fatores distintos, inerentes ao mercado de carnes. O primeiro é a estrutura de retaguarda (granja de ovos, integrados, etc), e o segundo são as plantas de abate, estocagem e logística. “Quanto uma empresa de carnes consegue se fechar? Qual o limite mínimo dela? Lembrando que praticamente todas tem compromissos financeiros enormes”, comenta.
 
“Observe-se o preço do frango no supermercado: ele é o termômetro da crise. Com preços internacionais de frango e suíno muito baixos (ou com problemas de demanda, devido aos problemas enfrentados pelo Brasil com as Operações Carne Fraca I e II, da JBS, BRF, etc) a tendência é a indústria jogar os seus produtos no mercado local, porque o giro financeiro é menor e, com isto, os preços das carnes para o consumidor baixarem”, explica Pacheco.

Sobre rumores de um leilão de 1,3 milhões de toneladas da Conab, o analista afirma que ainda não foi confirmado e, até agora, nem o setor de leilões da Companhia não recebeu nenhuma instrução concreta sobre isto do Ministério da Agricultura. 

“E serão eles que terão que efetivar as transações, de modo que, por enquanto, nada. Se for efetivado, poderá inverter a atual tendência de alta dos preços do milho no mercado, mesmo que sirva apenas para sustentar a indústria durante duas semanas, porque quebraria a crista dos vendedores que, privados de vender, ofereceriam preços menores”, conclui Pacheco. 

Agrolink