Curative: o potencializador de fungicidas

Eng. Agr MSc Cleyton S. Domingos

A cultura da soja apresenta grande importância no cenário agrícola mundial, devido a sua gama de utilização, tanto na alimentação humana como na animal, devido principalmente ao seu elevado teor de proteína e óleo poli e monoinsaturados.

Segundo o levantamento de Fevereiro de 2018 da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) a estimativa para a produção dessa oleaginosa no Brasil esse ano é de 110 milhões de toneladas.

A produtividade em geral é afetada pela interação dos fatores abióticos (clima, nutrição) e bióticos (plantas daninhas, pragas e doenças). Está última são causadas por patógenos (fungos, bactérias ou vírus) e para causar danos elas dependem da interrelação com o ambiente e o hospedeiro. Por ter sido identificado mais de 40 patógenos capazes de causar dano a cultura da soja e aliado a isso o uso indiscriminado de fungicidas, tem havido uma seleção de fungos tolerantes à vários princípios ativos. Dentro desse contexto, destaca-se a o fungo Phakopsora parchyhizi, causador da ferrugem asiática da soja. Ela causa um desfolhamento precoce da soja e seus danos na produtividade variam de 10 a 90% dependo do estádio de desenvolvimento da planta que ela aparece. Essa doença já é tolerante à aos principais ingredientes ativos, como os triazóis e estrubirulinas e para piorar a situação, o Fungicide Resistence Action Committee (FRAC) publicou um informativo em março de 2017 informando foi relatando a perda de eficiência das carboxamidas na safra 2016/17. 

Diante dessa situação, visando preservar as moléculas já existentes e dar um “up” nos produtos mais antigos, vários tem sido os trabalhos comprovando que a adição de um fungicida multissítio (mancozeb, clorotalonil e oxicloreto de cobre) ao programa de combate as doenças tem se mostrado bastante eficientes no controle das mesmas.

Nesse contexto a Fortgreen, empresa que atua no ramo de nutrição de plantas e tecnologia de aplicação lançou na safra 2015/16 o produto FG Curative como um potencializador de fungicida. Trata-se de um produto contendo Ácido Fosforoso, Cobre e Níquel bioativos que atuam de maneira sinérgica, diminuindo o crescimento micelial de fungos (ação fungistática) e esporulação (ação antiesporulante) como pode ser observado na Figura 1. 

 

Figura 1: Crescimento e esporulação in vitro de Colletotrichum truncatum. A – esquerda sem aplicação de Curative e direita com aplicação de Curative no meio de cultura (ação fungistática) e em B – esquerda esporulação do fungo sem a aplicação de Curative e do lado esquerdo esporulação do fungo com aplicação de Curative (efeito antiesporulante). Laboratório de Fitopatologia Fortgreen, 2017.

O Curative também atua aumentando a resistência das próprias plantas ao ataque de patógenos ao estimular a maior produção de fitoalexinas, que são substâncias fungitóxicas sintetizadas de novo pelas plantas principalmente após a invasão ou o contato de seus tecidos com microorganismos (Figura 2). Dentre elas podemos destacam-se:

-POLIFENOLOXIDASE E PEROXIDASE- são abundantes em tecidos infectados e tem grande importância para as plantas, com envolvimento nos mecanismos de defesa ou na senescência (AGRIOS, 1997). Elas lideram a degradação oxidativa de compostos fenólicos próximo ao local da descompartimentalização celular provocada por patógenos (CAMPOS et al., 2004). E estão frequentemente envolvidas na lignificação das células de plantas em resposta a infecções por patógenos (Mander & Fussi, 1982).

-Β-1,3-GLUCANASE – são importantes na proteção de plantas durante a invasão fúngica, através da sua capacidade de hidrolizar a β-1,3-glucana, principal componente da parede celular dos fungos (PANG et al., 2004).

-FENILALANINA AMÔNIA-LIASE (FAL) – precursora de compostos fenólicos e lignina

 

Figura 2: Produção de fitoalexinas em plantas de tomate após aplicação de diferentes compostos. ASM - Acibenzolar-S-metílico. Dra. Kátia R. Schwann-Estrada, UEM, Maringá 2016.

Por apresentar uma excelente aplicabilidade e ter esse duplo efeito: combate direto ao fungo e indução de resistência, a utilização de FG Curative associado aos fungicidas, sobretudo nas duas primeiras aplicações vem ganhando força. Isso porque ele tem uma forte atuação sobre as doenças de final de ciclo e mancha alvo (doenças que tem ganhado destaque no cenário nacional, devido à alta capacidade de redução de produtividade) e por atuar internamente nas plantas, aumentando a tolerância não só ao ataque de doenças, como também de pragas devido ao aumento na síntese de lignina, deixando as paredes celulares mais rígidas. Alguns resultados de incremento de controle de doenças e de produtividade podem ser observados nas Figuras 3 e 4.

 

 

Figura 3: Produtividade de soja após a aplicação de dois produtos com ação de protetora associado ao fungicida Picoxistrobina+Ciproconazole. Dr. Luiz A. Kozlowski. Fazenda Rio Grande, PR. Safra 2015/16.

 

 

Figura 4: Severidade de DFC e ferrugem asiática na cultura da soja com e sem a associação de Curative aos fungicidas. Dr. Heraldo R. Feksa. Guarapuava, PR. Safra 2016/17.

Agrolink com inf. de assessoria