Palavra do presidente

A indústria do milho está vivendo um processo de grandes transformações, com impactos sobre todos os elos da cadeia produtiva. O mais visível deles é a consolidação da produção nas novas fronteiras agrícolas do País: Mato Grosso e Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

Essas regiões produtoras, como se sabe, estão distantes dos principais centros de consumo de milho e derivados, provocando inevitável discussão sobre a logística para o grão. De fato, a produção requer investimentos governamentais e privados nos sistemas ferroviário e hidroviário, de forma a conferir maior competitividade ao milho.

É preciso também que a produção do cereal agregue valor justamente nos centros de produção. Bom exemplo desta possibilidade é a concretização de projetos de produção de etanol à base de milho. Com isso, a cultura ganha novo mercado, abrindo oportunidades de negócio para o produtor rural e empresas interessadas em investir no combustível.

Um dos maiores produtores mundiais de milho, o Brasil precisa, de outra parte, analisar com mais atenção as possibilidades de atuação no mercado internacional, aproveitando o bom momento vivido pelas principais economias, particularmente na Europa e Ásia. O milho tem todas as condições de seguir o caminho trilhado pela soja brasileira. Para tanto, será necessário adotar ações de suporte, especialmente de apoio ao financiamento das exportações.

Finalmente, é preciso aumentar o foco sobre o consumidor, para avaliar suas exigências, preferências e tendências de consumo. Neste sentido, a indústria do milho deve investir mais e mais em pesquisa, desenvolvimento de novos produtos e – principalmente – em inovação.

O consumo brasileiro de milho, vale lembrar, é tímido, se comparado à demanda de países com condições socioeconômicas similares às do Brasil. Há, portanto, um grande espaço para crescer. E, para ocupá-lo, é preciso investir na modernização dos sistemas de produção, na diversificação e lançamento de novos produtos e nas ferramentas digitais.


Nelson Arnaldo Kowalski,
Presidente da Associação Brasileira da Indústria do Milho